Quando operar catarata: os sinais de que chegou a hora

Você trocou o óculos há pouco tempo e continua enxergando embaçado. Dirigir à noite virou um incômodo, com halos e reflexos ao redor dos faróis. As cores parecem mais apagadas do que eram. E alguém já disse que é catarata, mas que ainda não está na hora de operar.

A dúvida sobre quando operar catarata é a que mais aparece no meu consultório. E a resposta que muita gente espera, um número exato ou uma idade certa, não existe.

Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e neste texto explico o que realmente define o momento da cirurgia.

O que é a catarata?

Dentro do olho existe uma lente natural, o cristalino, que é transparente e ajuda a focar a imagem na retina. Com o tempo, essa lente vai perdendo a transparência e ficando opaca. É isso que chamamos de catarata.

A luz passa a chegar à retina de forma dispersa, e a imagem perde nitidez e contraste. Não é uma película que cresce por cima do olho, como muita gente imagina, e não tem relação com esforço visual ou com o uso do celular.

Na maior parte dos casos a causa é o próprio envelhecimento. Mas a catarata também pode aparecer mais cedo em quem tem diabetes, usou corticoide por muito tempo, sofreu trauma no olho ou passou por outras cirurgias oculares.

Quais são os sintomas?

A catarata evolui devagar, o que faz a pessoa se adaptar sem perceber. Os sinais mais comuns são:

  • Visão embaçada que o óculos novo não resolve
  • Dificuldade para dirigir à noite, com halos e brilho excessivo dos faróis
  • Sensibilidade à claridade, inclusive em ambiente fechado
  • Cores mais apagadas ou amareladas
  • Trocas frequentes do grau do óculos em pouco tempo
  • Necessidade de mais luz para ler
  • Visão dupla em um olho só

Um detalhe que confunde: algumas pessoas melhoram a visão de perto por um período, chegando a largar o óculos de leitura. Isso costuma ser sinal de que a catarata está avançando, não de que a visão melhorou.

Quando operar a catarata?

O critério não é o grau da catarata no exame. É o quanto ela atrapalha a sua vida. Na consulta, o que avalio é o seguinte:

  • A catarata está limitando o que você faz? Dirigir, ler, trabalhar, reconhecer rostos. Se a resposta é sim, é hora de considerar a cirurgia.
  • O óculos ainda resolve? Enquanto o ajuste de grau devolve uma visão funcional, dá para acompanhar.
  • Existe risco associado? Alguns tipos de catarata, quando muito avançados, aumentam a pressão do olho ou dificultam a própria cirurgia.
  • Há outra doença ocular envolvida? Se a catarata impede o acompanhamento de uma retina ou de um glaucoma, isso pesa na decisão.

A ideia de esperar a catarata amadurecer é antiga e não se aplica mais. Catarata muito avançada torna a cirurgia mais difícil e a recuperação mais lenta.

Como é a cirurgia de catarata?

O procedimento é feito com anestesia local e sedação, com o paciente relaxado e sem dor. Não há necessidade de internação, e os dois olhos costumam ser operados em datas separadas.

A escolha da lente é parte importante da conversa. Existem lentes monofocais, monofocais tóricas para quem tem astigmatismo, de foco estendido e multifocais. Cada uma tem indicações, limitações e resultados diferentes, e a escolha depende do seu exame e da sua rotina.

O que você não deve fazer

O erro mais comum é adiar por medo da cirurgia. O adiamento não evita nada e torna o procedimento mais trabalhoso. Outro equívoco é trocar o óculos repetidamente sem investigar: se o grau muda muito rápido, o problema costuma não estar no óculos.

Também não acredite em colírio que dissolve catarata, porque não existe tratamento medicamentoso que reverta a opacidade do cristalino. E não escolha a lente pelo preço sem entender a indicação: a lente certa é a que combina com o seu olho.

A decisão é sua, tomada com informação

Não existe pressa artificial na catarata. Existe o momento em que ela começou a limitar a sua vida, e esse momento é diferente para cada pessoa.

O que faço na consulta é examinar, mostrar o que encontrei e explicar as opções, com os riscos e o que esperar de cada uma. A decisão de operar é sua, tomada com informação e sem pressão.

Agende sua consulta

Se a visão embaçada tem atrapalhado o seu dia a dia e você quer saber se é catarata, fale comigo e agende uma avaliação em Moema, São Paulo.

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Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente do setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.

Sobre o autor

Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema

Sou oftalmologista formado em medicina e em oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC, onde também fiz especialização em glaucoma e catarata. Hoje atuo como médico assistente no setor de glaucoma da FMABC e como chefe do setor de glaucoma do Dr. Consulta General Glicério.

Escrevo aqui sobre glaucoma, catarata, cirurgia refrativa e os sinais que merecem avaliação, do mesmo jeito que explico no consultório. Meu objetivo é que você entenda o que está acontecendo com a sua visão e saiba quando procurar um oftalmologista.

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