Você foi fazer o óculos novo, o oftalmologista mediu a pressão dos olhos e disse que estava alta. Saiu do consultório com um retorno marcado, um exame pedido e nenhuma dor. É exatamente aí que a maioria das pessoas relaxa.
A pressão alta no olho não dói, não embaça a visão no começo e não atrapalha o dia a dia. Por isso ela é tão perigosa: quando o incômodo aparece, uma parte do nervo óptico já se perdeu, e essa perda não volta.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e neste texto explico o que a pressão alta no olho significa de verdade, por que ela nem sempre é glaucoma e quando você precisa marcar uma avaliação.
O que é a pressão intraocular?
O olho é uma estrutura fechada e cheia de líquido. Esse líquido é produzido continuamente e escoa por uma espécie de ralo, no ângulo entre a íris e a córnea. Quando a produção e o escoamento estão equilibrados, a pressão se mantém estável.
Se o escoamento fica prejudicado, o líquido se acumula e a pressão sobe. O nervo óptico, que leva a imagem do olho até o cérebro, é a estrutura mais sensível a esse aumento. Ele vai sendo comprimido aos poucos, sem sintoma nenhum.
Pressão alta no olho é a mesma coisa que glaucoma?
Não, e essa é a confusão mais comum no consultório. A pressão alta é um fator de risco para o glaucoma, o mais importante deles, mas não é o diagnóstico.
Existem duas situações que costumam ser confundidas:
- Hipertensão ocular: a pressão está acima do esperado, mas o nervo óptico ainda está íntegro e o campo visual, normal. Não é glaucoma, mas exige acompanhamento.
- Glaucoma: já existe dano no nervo óptico, com ou sem alteração no campo visual. Aqui o tratamento não é opcional.
E existe o contrário: o glaucoma de pressão normal, em que o nervo é lesado mesmo com a pressão dentro da faixa considerada normal. Por isso o diagnóstico nunca se faz com um número isolado.
Quais exames confirmam o diagnóstico?
Uma medida de pressão sozinha não fecha nada. Na consulta, o que avalio é o conjunto:
- Tonometria, a medida da pressão intraocular
- Fundoscopia, o exame do nervo óptico
- Gonioscopia, que avalia se o ângulo de drenagem está aberto ou fechado
- Paquimetria, que mede a espessura da córnea e interfere na leitura da pressão
- Campo visual, que identifica falhas na visão periférica ainda não percebidas
- OCT, que mede a camada de fibras nervosas
É a leitura conjunta desses exames que separa a hipertensão ocular do glaucoma.
Quem tem mais chance de desenvolver glaucoma?
Alguns fatores aumentam o risco e mudam a frequência com que você deve se consultar:
- Ter familiar de primeiro grau com glaucoma
- Ter mais de 40 anos
- Ser da população negra, que desenvolve a doença mais cedo
- Ter miopia alta
- Usar corticoide por tempo prolongado, inclusive colírio e pomada
- Ter diabetes ou histórico de trauma no olho
- Asiáticos são uma etnia que tem mais glaucoma também
Como é o tratamento?
Na maior parte dos casos o tratamento começa com colírio, usado todos os dias, para reduzir a pressão e estabilizar a doença. Muitos pacientes ficam anos assim, com retornos regulares, sem precisar de nada além disso.
Quando o colírio não é suficiente ou não é bem tolerado, existem o laser e as cirurgias, incluindo técnicas minimamente invasivas. A escolha depende do tipo de glaucoma, do estágio e da resposta de cada pessoa. O objetivo em todos os casos é o mesmo: preservar a visão que você tem hoje.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é parar o colírio porque a visão está boa. O colírio é justamente o motivo de a visão estar boa. Outro equívoco frequente é faltar aos retornos, e é no retorno que se descobre se o tratamento está funcionando.
Também não use colírio de outra pessoa. Cada tipo de glaucoma tem uma medicação apropriada, e alguns colírios são contraindicados em certos casos. E não espere sentir alguma coisa para procurar avaliação, porque você não vai sentir.
Não dá para recuperar, mas dá para preservar
O glaucoma não tem cura, mas tem controle. Com diagnóstico no tempo certo e acompanhamento regular, a grande maioria dos pacientes mantém a visão ao longo da vida.
O que não se recupera é o que já se perdeu. Por isso a diferença entre quem preserva e quem perde visão costuma estar no tempo que se levou para procurar avaliação.
Agende sua consulta
Recebeu a informação de que a pressão dos seus olhos está alta, ou tem alguém na família com glaucoma? Fale comigo e agende uma avaliação em Moema, São Paulo.
Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente do setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
