Você já se cansou do óculos, pesquisou sobre cirurgia a laser e encontrou respostas contraditórias. Um site diz que qualquer pessoa pode operar. Outro diz que existe idade limite. Um conhecido fez e adorou, outro foi reprovado no exame e nunca entendeu bem o motivo.
A verdade é que quem pode fazer cirurgia refrativa não se define pelo grau nem pela idade isoladamente. Se define pelo exame.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e neste texto explico o que avalio antes de dizer se alguém é candidato, e por que a reprovação, quando acontece, é uma boa notícia.
O que é a cirurgia refrativa?
É o procedimento que corrige o grau modificando a curvatura da córnea, a camada transparente na frente do olho. Ao alterar essa curvatura com laser, a imagem passa a se formar corretamente sobre a retina, e a dependência do óculos diminui.
Ela é usada para corrigir miopia, hipermetropia e astigmatismo. As técnicas mais conhecidas são o LASIK, o PRK e o SMILE, e cada uma tem indicações próprias. Existe ainda o LASIK com perfil de visão combinada, conhecido comercialmente como PRESBYOND, que trata a presbiopia junto com o grau em pacientes selecionados. A escolha não é uma questão de preferência: depende da espessura e do formato da sua córnea.
A cirurgia refrativa corrige a vista cansada?
A presbiopia, a dificuldade de enxergar de perto que aparece por volta dos 40 anos, não é grau no sentido comum. Ela acontece porque o cristalino perde a capacidade de mudar de foco.
Existem técnicas de laser que tratam a presbiopia junto com a miopia, a hipermetropia e o astigmatismo, criando um perfil de visão combinada entre os dois olhos. Não é indicado para todo mundo, e depende da adaptação de cada pessoa a esse tipo de visão. Na avaliação eu explico se o seu caso permite e o que esperar do resultado.
Quais critérios definem se você pode operar?
Estes são os pontos que analiso em uma avaliação para cirurgia refrativa:
- Grau estável. Sem alteração significativa por pelo menos um ano. Se ainda está mudando, a cirurgia corrige um número que vai mudar de novo.
- Idade. Em geral a partir dos 18 anos, e só quando o grau já estabilizou.
- Espessura da córnea. O laser remove tecido. Córnea fina demais não tem margem segura para a correção necessária.
- Formato da córnea. A topografia identifica irregularidades e sinais de ceratocone, que contraindicam algumas técnicas.
- Saúde ocular geral. Olho seco importante, ceratocone, glaucoma não controlado e alterações de retina precisam ser avaliados antes.
- Condições gerais. Doenças autoimunes, diabetes descompensado, gravidez e amamentação interferem na cicatrização e na estabilidade do grau.
Por que algumas pessoas não podem operar?
O motivo mais comum é a relação entre o grau e a espessura da córnea. Quanto maior o grau, mais tecido precisa ser removido, e existe um limite abaixo do qual a córnea fica frágil.
O segundo motivo mais comum é a suspeita de ceratocone, uma condição em que a córnea afina e se deforma progressivamente. Operar uma córnea com essa tendência pode acelerar o processo. Por isso a topografia é obrigatória, mesmo em quem nunca ouviu falar em ceratocone.
Quando o exame indica que a cirurgia não é segura, isso não é uma porta fechada. É um problema identificado a tempo. Existem outras formas de corrigir o grau, como o implante de lente intraocular fácica, e existe o acompanhamento do que foi encontrado.
Como é a avaliação?
A consulta para cirurgia refrativa é mais longa que a consulta de rotina, porque envolve exames complementares:
- Refração com e sem colírio cicloplégico, para confirmar o grau real
- Topografia e tomografia de córnea, que mapeiam formato e espessura
- Paquimetria
- Avaliação do filme lacrimal, para investigar olho seco
- Mapeamento de retina
- Medida da pressão intraocular
Com esse conjunto em mãos é possível dizer se você é candidato, qual técnica se aplica ao seu caso e o que esperar do resultado.
O que você não deve fazer
Não escolha a técnica antes do exame, porque quem define LASIK, PRK ou SMILE é a sua córnea. E não use lente de contato até o dia da avaliação: a lente altera o formato da córnea e distorce a topografia, então é preciso suspender antes, pelo tempo que eu orientar.
Também não compare seu caso com o de outra pessoa, porque mesmo grau não significa mesma córnea. E não assuma que existe uma técnica única para todos: o planejamento é personalizado a partir do seu exame, inclusive depois dos 40 anos, quando entram as técnicas que tratam a presbiopia.
A avaliação vale a pena mesmo se a resposta for não
A maioria das pessoas que procura a cirurgia refrativa é candidata. Uma parte não é, e descobre nessa avaliação algo sobre os próprios olhos que merecia atenção de qualquer forma.
Nos dois casos você sai da consulta sabendo o que tem, quais são as opções e o que cada uma envolve. É isso que considero uma boa avaliação.
Agende sua consulta
Quer saber se pode fazer cirurgia refrativa? Fale comigo e agende uma avaliação completa em Moema, São Paulo.
Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente do setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
