Você trocou os óculos há pouco tempo, seguiu a receita certinha, e mesmo assim a visão continua embaçada, principalmente à noite. Se o óculos novo não resolveu o problema, o motivo pode não estar no grau, e sim dentro do olho.
Esse é um dos sinais mais comuns de catarata: uma condição em que o cristalino, a lente natural do olho, vai perdendo a transparência aos poucos. Nenhum grau de óculos corrige isso, porque o problema não é de refração, é de opacidade.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo na avaliação e no tratamento cirúrgico de catarata. Neste texto explico como diferenciar catarata de um simples erro de grau e o que esperar da avaliação.
O que é a catarata, afinal?
Dentro do olho existe uma lente natural, o cristalino, responsável por focar a luz na retina. Com o passar do tempo, essa lente pode perder a transparência e ficar opaca, como um vidro embaçado. É esse embaçamento progressivo que chamamos de catarata.
Na maioria dos casos, ela está ligada ao envelhecimento natural do olho, mas também pode aparecer antes dos 60 anos, associada a diabetes, uso prolongado de corticoide, traumas oculares ou exposição solar acumulada sem proteção.
Como diferenciar catarata de um óculos desatualizado?
Alguns sinais ajudam a apontar para a catarata em vez de um simples ajuste de grau:
- O óculos novo não deixou a visão nítida como antes
- A visão embaça mais à noite ou em ambientes com pouca luz
- Você percebe halos ou reflexos ao redor das luzes ao dirigir
- As cores parecem mais apagadas do que costumavam ser
- A claridade incomoda mais do que incomodava antes
Só o exame oftalmológico confirma, mas se você se identificou com mais de um desses pontos, já vale marcar uma avaliação.
Por que trocar de óculos não resolve?
O óculos corrige a forma como a luz é focada no olho, mas não devolve a transparência a uma lente que já está opaca. É por isso que, quando a causa é catarata, trocar o grau alivia pouco ou nada: a imagem chega embaçada até a retina, não importa o quão preciso seja o óculos.
Como é feita a avaliação?
A consulta começa com a refração, para conferir se o grau está mesmo atualizado, seguida do exame do cristalino com a lâmpada de fenda, que permite ver diretamente o grau de opacidade. Também avalio o fundo de olho, para garantir que a retina e o nervo óptico estão saudáveis.
Com esses achados, digo com clareza se é catarata, em que estágio ela está, e se já é o momento de considerar a cirurgia ou se dá para acompanhar por enquanto.
Descobrir catarata significa que preciso operar logo?
Não necessariamente. Nos estágios iniciais, muitas vezes basta acompanhar com consultas periódicas, e a atualização do óculos ainda ajuda um pouco. A cirurgia entra em cena quando a catarata já atrapalha as atividades do dia a dia, como dirigir, ler ou trabalhar.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é trocar de óculos repetidas vezes tentando resolver uma visão embaçada que na verdade é catarata. Isso gera gasto desnecessário e adia o diagnóstico correto.
Outro ponto de atenção é adiar a avaliação por achar que “é só a idade”. A idade pode ser a causa, mas isso não elimina a necessidade de acompanhar a evolução com um oftalmologista.
Um exame simples esclarece a dúvida
Se o óculos novo não resolveu, vale a pena investigar antes de trocar de grau outra vez. Uma avaliação simples já mostra se o problema está no cristalino e qual é o melhor caminho a partir daí.
Agende sua consulta
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Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
