Sua mãe, seu pai ou um irmão tem glaucoma, e você nunca fez o exame para saber se também tem. É uma situação mais comum do que parece — e a dúvida que fica é: isso é hereditário? Preciso me examinar mesmo sem sentir nada?
A resposta curta é sim. O histórico familiar é um dos fatores de risco mais importantes para o glaucoma, e o exame preventivo é a única forma de saber se você também tem a doença antes que ela afete sua visão.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo no diagnóstico e acompanhamento de glaucoma também como médico assistente do setor na Faculdade de Medicina do ABC. Neste texto explico por que o histórico familiar importa tanto e o que fazer com essa informação.
O glaucoma é mesmo hereditário?
Ter um parente de primeiro grau com glaucoma — pai, mãe ou irmão — aumenta de forma significativa a chance de a pessoa também desenvolver a doença ao longo da vida. Não significa que você necessariamente vai ter, mas o risco é bem maior do que o de alguém sem esse histórico.
Isso vale principalmente para o tipo mais comum da doença, o glaucoma primário de ângulo aberto, que costuma ter forte componente familiar.
Por que o exame preventivo é tão importante nesse caso?
O glaucoma não dói e não dá sintomas até que parte da visão já tenha se perdido, e essa perda não volta. Quem tem histórico familiar carrega um risco maior desse processo silencioso já estar em curso sem que perceba.
Por isso, esperar aparecer algum sintoma para procurar um oftalmologista não funciona nesses casos. O exame preventivo é o que permite encontrar a doença numa fase em que ainda dá para preservar a visão que a pessoa tem.
A partir de que idade devo me examinar?
Para quem tem histórico familiar, o acompanhamento oftalmológico regular costuma ser recomendado a partir dos 40 anos, podendo começar antes dependendo do caso — por exemplo, se um parente próximo desenvolveu a doença ainda jovem.
O ideal é contar essa história para o oftalmologista na consulta, incluindo quem da família tem a doença e, se souber, com que idade foi diagnosticado. Essa informação ajuda a definir a frequência ideal dos seus exames.
O que o exame preventivo avalia?
Numa consulta de rastreamento de glaucoma, avalio:
- A pressão intraocular, com a tonometria
- A espessura da córnea, com a paquimetria
- O aspecto do nervo óptico, no fundo de olho
- O campo visual, quando há suspeita de perda periférica
Com esses resultados, dá para saber se está tudo dentro do esperado, se há apenas risco aumentado a acompanhar, ou se já existe glaucoma instalado.
Ter histórico familiar significa que eu vou ficar cego?
Não. Ter um parente com glaucoma aumenta o risco, mas não é uma sentença. E mesmo entre quem desenvolve a doença, o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular fazem toda a diferença: a grande maioria dos pacientes tratados corretamente preserva a visão que tem ao longo da vida.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é achar que, por não sentir nada, está tudo bem. Como já vimos, o glaucoma não avisa, e essa é justamente a razão pela qual ele é perigoso em quem tem histórico familiar e nunca se examinou.
Outro equívoco é adiar o exame por achar que só vale a pena se algum sintoma aparecer primeiro. Quando o sintoma aparece, parte da visão já se perdeu — e esse é exatamente o cenário que o exame preventivo existe para evitar.
Conhecer o próprio risco é a melhor forma de se proteger
Ter glaucoma na família não é motivo para pânico, mas é um convite para agir cedo. Um exame simples hoje pode ser a diferença entre acompanhar a doença desde o início ou descobri-la só quando ela já avançou.
Agende sua consulta
Tem histórico de glaucoma na família e nunca fez o exame? Fale comigo e agende uma avaliação preventiva em Moema.
Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
