Quando a catarata precisa ser operada? Os sinais no dia a dia

Descobrir que tem catarata não significa que a cirurgia precisa acontecer amanhã. É uma das perguntas que mais escuto no consultório: “já que eu tenho, quando eu preciso operar?” E a resposta não está numa idade certa nem num grau exato.

Quem decide o momento certo é o quanto a catarata está atrapalhando a sua vida. E isso é diferente para cada pessoa.

Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo na avaliação e na cirurgia de catarata. Neste texto explico como esse momento é definido e quais sinais indicam que vale conversar sobre operar.

Por que não existe uma idade ou grau exato para operar?

A catarata evolui de forma diferente em cada pessoa, e o impacto dela também depende da rotina de cada um. Duas pessoas com o mesmo grau de opacidade no cristalino podem ter experiências bem diferentes: uma pode não perceber quase nada no dia a dia, enquanto a outra já sente dificuldade para dirigir ou trabalhar.

Por isso, a decisão de operar não segue uma régua fixa. Ela combina o que o exame mostra com o que a catarata está causando na vida prática do paciente.

Quais sinais no dia a dia indicam que é hora de considerar a cirurgia?

Vale prestar atenção quando a catarata começa a interferir em atividades como:

  • Dirigir, especialmente à noite, por causa de halos e ofuscamento
  • Ler ou usar o celular, mesmo com o óculos atualizado
  • Trabalhar, principalmente em tarefas que exigem foco visual
  • Reconhecer rostos ou ler placas a certa distância
  • Perceber que precisa de mais luz do que antes para fazer as mesmas coisas

Quando um ou mais desses pontos já atrapalham de verdade a rotina, geralmente é hora de conversar sobre a cirurgia.

É melhor esperar a catarata “amadurecer” para operar?

Não. Essa é uma ideia antiga, de uma época em que a técnica cirúrgica exigia mais opacidade para operar. Hoje a cirurgia é feita com o cristalino em qualquer estágio, e esperar demais só prolonga o incômodo sem trazer benefício real.

Em cataratas muito avançadas, a cirurgia pode inclusive ficar mais complexa. Por isso, não faz sentido adiar por adiar, quando os sintomas já incomodam.

Como funciona essa conversa na consulta?

Depois de confirmar a catarata no exame, converso sobre como ela está afetando o seu dia a dia. Pergunto sobre dirigir, ler, trabalhar e outras atividades que fazem parte da sua rotina. A partir disso, explico se já é o momento de operar, se dá para acompanhar por mais um tempo, ou se ainda é cedo demais para pensar nisso.

A decisão final é sempre conversada, nunca imposta. Você participa da escolha do momento certo.

O que você não deve fazer

O erro mais comum é adiar a avaliação por conta própria, esperando “chegar a hora certa” sem nunca conversar com um oftalmologista sobre isso. Só o exame e a conversa sobre a sua rotina dizem se esse momento já chegou.

Também vale evitar se acostumar com as limitações e achar normal reduzir atividades, como parar de dirigir à noite ou de ler, só para “se adaptar” à catarata. Muitas vezes a cirurgia devolve exatamente essa liberdade.

Quem decide o momento certo é você, com informação

Não existe pressa nem um prazo fixo para operar catarata. O que existe é o momento em que ela deixa de ser só um achado de exame e passa a limitar o que você faz. Reconhecer esse momento é o primeiro passo para decidir com calma.

Agende sua consulta

A catarata já está atrapalhando o seu dia a dia? Fale comigo e agende uma avaliação completa em Moema.

AGENDAR CONSULTA


Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.

Sobre o autor

Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema

Sou oftalmologista formado em medicina e em oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC, onde também fiz especialização em glaucoma e catarata. Hoje atuo como médico assistente no setor de glaucoma da FMABC e como chefe do setor de glaucoma do Dr. Consulta General Glicério.

Escrevo aqui sobre glaucoma, catarata, cirurgia refrativa e os sinais que merecem avaliação, do mesmo jeito que explico no consultório. Meu objetivo é que você entenda o que está acontecendo com a sua visão e saiba quando procurar um oftalmologista.

Artigos relacionados

Quando operar catarata: os sinais de que chegou a hora

Você trocou o óculos há pouco tempo e continua enxergando embaçado. Dirigir à noite virou um incômodo, com halos e reflexos ao redor dos faróis. As cores parecem mais...

Continuar leitura

Quem pode fazer cirurgia refrativa? Os critérios avaliados na consulta

Você já se cansou do óculos, pesquisou sobre cirurgia a laser e encontrou respostas contraditórias. Um site diz que qualquer pessoa pode operar. Outro diz que existe idade limite....

Continuar leitura

Pressão ocular alta: o que isso significa e por que não dói

Pressão ocular alta não dói, mas pode ser sinal de glaucoma. Entenda o que significa e agende sua consulta em Moema.

Continuar leitura