Lentes intraoculares: quais são as opções e qual é a certa para mim

Depois de decidir operar a catarata, surge outra dúvida importante: qual lente colocar no lugar do cristalino? Essa escolha influencia diretamente o quanto você vai depender de óculos depois da cirurgia, e por isso merece uma conversa com calma antes de decidir.

Não existe uma lente “melhor” de forma geral. Existe a lente mais adequada para a rotina, a visão e as expectativas de cada paciente.

Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo na avaliação e na cirurgia de catarata. Neste texto explico as principais categorias de lente intraocular e como decidimos juntos qual delas cabe no seu caso.

Por que a cirurgia de catarata já implica escolher uma lente?

Na cirurgia de catarata, o cristalino opacificado é removido e substituído por uma lente intraocular artificial, que passa a fazer o papel de foco do olho para o resto da vida. Como essa lente é permanente, o momento da cirurgia também é a oportunidade de corrigir grau de miopia, hipermetropia e astigmatismo que a pessoa já tinha antes.

É por isso que a escolha da lente é parte do planejamento cirúrgico, e não um detalhe técnico à parte.

Quais são as categorias de lente intraocular?

De forma geral, as lentes se dividem em três grupos:

  • Monofocais: corrigem bem a visão para uma distância, geralmente a de longe, e costumam exigir óculos para perto
  • Multifocais: criam mais de um foco na mesma lente, reduzindo a dependência de óculos para longe e para perto
  • Tóricas: corrigem astigmatismo junto com o grau, disponíveis tanto em versão monofocal quanto multifocal

Cada grupo tem vantagens e limitações, e a indicação depende do exame e da rotina de cada pessoa.

Lente monofocal: para quem costuma ser indicada?

A lente monofocal é a opção mais tradicional e costuma trazer boa nitidez para longe, como para dirigir ou assistir televisão. Para atividades de perto, como ler ou usar o celular, geralmente é necessário um óculos de grau.

Costuma ser uma boa escolha para quem já está acostumado a usar óculos de leitura e não vê problema em continuar usando.

Lente multifocal: vale a pena para todo mundo?

A lente multifocal reduz bastante a dependência de óculos no dia a dia, o que atrai muitos pacientes. Mas ela não é indicada para todos: exige um olho saudável, sem outras alterações associadas, como glaucoma avançado ou doenças de retina, e algumas pessoas percebem halos de luz à noite, principalmente nos primeiros meses.

Por isso, a indicação passa por uma avaliação criteriosa da córnea, da retina e das expectativas do paciente antes de ser oferecida.

Como é decidida a lente ideal para cada paciente?

Antes da cirurgia, faço uma biometria, exame que mede o formato do olho e calcula o grau exato da lente a ser implantada. Junto com isso, avalio a saúde geral do olho, o astigmatismo presente e converso sobre a rotina do paciente: se dirige à noite com frequência, se lê muito, se usa telas o dia inteiro, se já está acostumado a usar óculos e não se incomoda com isso.

É a partir desse conjunto de informações, exame mais conversa, que apresento as opções viáveis para aquele caso específico e explico os prós e contras de cada uma.

O que você não deve fazer

O erro mais comum é escolher a lente só pelo que ouviu de outra pessoa, sem considerar que cada olho e cada rotina são diferentes. O que funcionou bem para um conhecido pode não ser a melhor opção para o seu caso.

Também vale evitar decidir apenas pelo custo, sem entender as diferenças práticas entre as opções. A lente vai acompanhar você pelo resto da vida, então entender bem as alternativas antes de decidir compensa.

A melhor lente é a que combina com a sua rotina

Não existe uma resposta pronta para qual lente é a ideal. Existe a lente que faz sentido para os seus olhos, sua rotina e o quanto você quer depender de óculos depois da cirurgia. Essa decisão é sua, tomada junto comigo, depois de entender todas as opções.

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Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.

Sobre o autor

Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema

Sou oftalmologista formado em medicina e em oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC, onde também fiz especialização em glaucoma e catarata. Hoje atuo como médico assistente no setor de glaucoma da FMABC e como chefe do setor de glaucoma do Dr. Consulta General Glicério.

Escrevo aqui sobre glaucoma, catarata, cirurgia refrativa e os sinais que merecem avaliação, do mesmo jeito que explico no consultório. Meu objetivo é que você entenda o que está acontecendo com a sua visão e saiba quando procurar um oftalmologista.

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