Você tem mais de 40 anos, enxerga razoavelmente bem e não sente nada de diferente. Vale mesmo a pena voltar ao oftalmologista com frequência? A resposta é sim, e o motivo não tem a ver com o quanto você enxerga hoje, mas com o que pode estar começando sem dar sinal.
Depois dos 40, o corpo passa por mudanças na visão que vão além de precisar de um óculos novo, e algumas das doenças oculares mais sérias começam justamente nessa faixa etária, de forma silenciosa.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo em consultas de rotina e no acompanhamento de glaucoma e catarata. Neste texto explico por que os 40 anos marcam uma mudança na frequência recomendada dos exames.
Por que os 40 anos são um marco para a visão?
É por volta dessa idade que a presbiopia começa a aparecer, trazendo dificuldade para focar de perto. Mas essa não é a única mudança: o risco de catarata e de glaucoma também começa a subir de forma mais relevante a partir dos 40, mesmo em quem nunca teve problema de visão antes.
Por isso, a consulta oftalmológica depois dos 40 deixa de ser só sobre “atualizar o grau” e passa a ser também uma checagem preventiva da saúde geral dos olhos.
Com que frequência fazer o exame, então?
Para a maioria das pessoas saudáveis, sem fatores de risco adicionais, a recomendação costuma ser uma consulta oftalmológica completa a cada um ou dois anos depois dos 40. Já para quem tem fatores de risco, o intervalo tende a ser menor:
- Histórico familiar de glaucoma
- Diabetes
- Pressão alta não controlada
- Miopia alta
- Uso prolongado de corticoides
Nesses casos, o próprio oftalmologista define um intervalo mais curto, geralmente anual, de acordo com o risco individual.
O que é avaliado numa consulta de rotina depois dos 40?
Uma consulta completa nessa faixa etária costuma incluir:
- Refração, para verificar o grau atual
- Medida da pressão ocular
- Exame do cristalino, para avaliar sinais iniciais de catarata
- Fundo de olho, para checar a saúde da retina e do nervo óptico
Esse conjunto de exames é o que permite identificar precocemente tanto a presbiopia quanto condições mais sérias, como glaucoma e catarata, ainda numa fase em que o tratamento é mais simples.
E se eu enxergo bem, ainda preciso ir?
Sim. Enxergar bem hoje não garante que os olhos estão livres de alterações em curso. Glaucoma e catarata em estágio inicial não costumam mudar a visão de forma perceptível, e é justamente esse o motivo pelo qual o exame preventivo existe: encontrar o que ainda não dá sintoma.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é usar “enxergo bem” como critério para adiar a consulta. Como já vimos, esse não é um indicador confiável depois dos 40.
Também vale evitar comprar óculos de leitura pronto de farmácia como substituto de uma consulta completa. Ele pode até resolver o incômodo da presbiopia no momento, mas não avalia a pressão ocular, o cristalino nem o fundo de olho.
Prevenção depois dos 40 é simples e vale a pena
Manter a consulta oftalmológica em dia depois dos 40 é um dos cuidados mais simples e eficazes para preservar a visão a longo prazo. É um exame rápido que pode antecipar problemas em anos, antes que eles afetem seu dia a dia.
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Tem mais de 40 anos e já faz tempo que não consulta? Fale comigo e agende uma avaliação completa em Moema.
Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
