Depois de receber o diagnóstico de glaucoma, a primeira pergunta que a maioria dos pacientes faz é a mesma: isso tem cura? É uma dúvida legítima, e a resposta direta é não. Mas essa resposta, sozinha, assusta mais do que deveria.
O glaucoma não tem cura, mas tem controle. E controlado, ele deixa de ser uma ameaça à visão que a pessoa ainda tem. Entender essa diferença muda completamente a forma como se encara o diagnóstico.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo no diagnóstico e acompanhamento de glaucoma também como médico assistente do setor na Faculdade de Medicina do ABC. Neste texto explico por que o glaucoma não tem cura, o que significa controlar a doença e o que esperar do tratamento a longo prazo.
Por que o glaucoma não tem cura?
O glaucoma danifica fibras do nervo óptico, a estrutura que leva as imagens captadas pelo olho até o cérebro. Diferente de outros tecidos do corpo, essas fibras não se regeneram. Uma vez perdidas, não voltam.
É por isso que não existe um tratamento que reverta o dano já causado. O que existe, e funciona muito bem, é a possibilidade de impedir que mais fibras sejam perdidas dali em diante.
O que significa, na prática, controlar o glaucoma?
Controlar o glaucoma é manter a pressão intraocular numa faixa segura para aquele paciente específico, de forma a interromper ou desacelerar a perda de fibras do nervo óptico. Cada pessoa tem uma meta de pressão diferente, definida a partir do estágio da doença e das características do próprio olho.
Quando essa meta é atingida e mantida ao longo do tempo, o glaucoma para de avançar, ou avança tão devagar que não chega a comprometer a qualidade de vida do paciente.
Quais são as formas de tratamento?
O tratamento do glaucoma segue, em geral, uma ordem crescente de intervenção:
- Colírios específicos, que reduzem a produção ou aumentam o escoamento do humor aquoso
- Procedimentos a laser, indicados em alguns tipos e estágios da doença
- Cirurgia, quando os colírios e o laser não são suficientes para controlar a pressão
A escolha entre essas opções depende do tipo de glaucoma, do estágio em que foi encontrado e da resposta de cada paciente ao tratamento inicial.
Por que o acompanhamento nunca termina?
Como não há cura, o glaucoma pede acompanhamento contínuo, mesmo depois que a pressão está controlada. Isso significa retornos periódicos para medir a pressão, repetir o campo visual e o exame do nervo óptico, e confirmar que o tratamento continua funcionando.
A frequência desses retornos varia de paciente para paciente, conforme o estágio da doença e a estabilidade da pressão ao longo do tempo.
Quem tem glaucoma vai ficar cego?
Não, na maioria dos casos. Com diagnóstico feito a tempo e acompanhamento regular, a grande maioria dos pacientes com glaucoma preserva a visão útil para as atividades do dia a dia ao longo de toda a vida. A cegueira por glaucoma está mais associada aos casos diagnosticados tarde ou abandonados no meio do tratamento.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é interromper o colírio por conta própria assim que a pressão normaliza ou quando os frascos acabam e o paciente decide esperar antes de comprar outro. A pressão volta a subir silenciosamente, e o dano segue avançando sem que a pessoa perceba.
Outro erro é faltar às consultas de retorno por estar se sentindo bem. Como o glaucoma não dá sintomas, “estar bem” não é um indicador confiável de que o tratamento continua funcionando.
Controlar bem é o mais próximo que existe de uma cura
Não ter cura não é o mesmo que não ter solução. Com o tratamento certo, seguido com constância, o glaucoma se torna uma condição que se administra, e não uma sentença que se sofre. O acompanhamento regular é o que garante isso.
Agende sua consulta
Foi diagnosticado com glaucoma ou está com dúvidas sobre o tratamento? Fale comigo e agende uma avaliação em Moema.
Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
