Miopia, astigmatismo, hipermetropia. Muita gente usa esses termos como se fossem sinônimos de “grau”, sem saber exatamente a diferença entre eles. E antes de pensar em cirurgia refrativa, entender o que cada um significa ajuda a conversa a fazer mais sentido.
São três formas diferentes de a luz não focar corretamente na retina, e cada uma tem características próprias — inclusive é possível ter mais de uma ao mesmo tempo.
Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo na avaliação e indicação de cirurgia refrativa. Neste texto explico a diferença entre esses três erros de refração e como cada um é corrigido.
O que é miopia?
Na miopia, o olho é um pouco mais alongado do que deveria, ou a córnea é mais curva do que o ideal. Com isso, a luz foca antes de chegar na retina, e a pessoa enxerga bem de perto, mas tem dificuldade para ver com nitidez de longe — placas, telas de cinema, rostos do outro lado da rua.
É o erro de refração mais comum e costuma começar na infância ou adolescência, estabilizando geralmente no início da vida adulta.
O que é hipermetropia?
Na hipermetropia acontece o contrário: o olho é um pouco mais curto do que o ideal, e a luz foca depois da retina. Isso gera mais dificuldade para enxergar de perto do que de longe, embora graus mais altos também afetem a visão à distância.
Em graus baixos, o próprio olho consegue compensar parte do problema fazendo um esforço extra de foco, o que pode causar cansaço visual e dor de cabeça, principalmente depois de ler ou usar telas por muito tempo.
O que é astigmatismo?
O astigmatismo acontece quando a córnea não tem uma curvatura uniforme, mais parecida com uma bola de futebol americano do que com uma bola de futebol comum. Isso faz a luz focar em mais de um ponto ao mesmo tempo, gerando visão borrada tanto de perto quanto de longe, além de sensação de imagem “duplicada” em alguns casos.
É comum o astigmatismo aparecer junto com a miopia ou a hipermetropia, e não sozinho.
Por que isso importa antes de pensar em cirurgia?
A cirurgia refrativa corrige esses três erros remodelando a córnea, mas a técnica e o planejamento variam de acordo com qual deles está presente, com que intensidade, e se há mais de um combinado. O exame pré-operatório mapeia exatamente isso, para que a correção seja calculada com precisão para o seu olho.
Entender essa diferença também ajuda a entender por que dois pacientes, mesmo com “o mesmo grau” na conversa do dia a dia, podem ter planejamentos cirúrgicos bem diferentes.
É possível ter os três ao mesmo tempo?
Sim. É bastante comum uma pessoa ter miopia e astigmatismo juntos, ou hipermetropia e astigmatismo. A combinação exata é o que define a lente do seu óculos atual e também o planejamento da cirurgia, caso você opte por ela.
O que você não deve fazer
O erro mais comum é tentar comparar o próprio grau com o de outra pessoa achando que os números contam a história toda, sem levar em conta qual é o erro de refração e quanto de astigmatismo está envolvido. Números parecidos podem significar situações bem diferentes.
Também vale evitar decidir sobre a cirurgia sem entender qual é o seu diagnóstico exato. Essa clareza faz parte de uma decisão bem informada.
Entender o seu grau é o primeiro passo
Saber se você tem miopia, hipermetropia, astigmatismo ou uma combinação deles é o ponto de partida para qualquer conversa sobre cirurgia refrativa. Com esse diagnóstico claro, fica mais fácil entender as opções e decidir com segurança.
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Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.
