Quem pode fazer cirurgia a laser? O exame que decide, não o grau

“Meu grau é muito alto, acho que não posso operar” ou “meu grau é baixo, nem vale a pena”. Essas são duas ideias comuns sobre cirurgia refrativa, e as duas partem do mesmo engano: achar que o grau é o que decide quem pode operar.

Na prática, quem decide não é o número do grau, e sim um conjunto de exames que avalia a córnea e a saúde geral do olho. Só depois desse exame é possível dizer com segurança se alguém é candidato.

Sou o Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema, São Paulo, e atuo na avaliação e indicação de cirurgia refrativa. Neste texto explico o que realmente é avaliado antes de indicar a cirurgia e por que o grau, sozinho, não conta a história toda.

Por que o grau não é o principal critério?

A cirurgia a laser remodela a córnea, retirando uma camada muito fina de tecido para corrigir o grau. Quanto maior o grau a corrigir, mais tecido precisa ser retirado. Por isso, o que realmente importa não é só o grau em si, mas se a córnea tem espessura suficiente para suportar essa correção com segurança.

Duas pessoas com o mesmo grau podem ter córneas de espessuras bem diferentes — uma pode ser uma ótima candidata, e a outra pode precisar de uma técnica diferente ou não ser candidata àquele procedimento específico.

Quais exames avaliam se alguém pode operar?

A avaliação para cirurgia refrativa costuma incluir:

  • Topografia e tomografia da córnea, que mapeiam o formato e identificam alterações como o ceratocone
  • Paquimetria, que mede a espessura da córnea
  • Refração estabilizada, para confirmar que o grau não está mais variando
  • Avaliação da lágrima e da saúde geral da superfície ocular
  • Exame de fundo de olho, para descartar outras alterações associadas

É a combinação desses resultados que aponta se você é candidato, e qual técnica é a mais indicada para o seu caso.

O que pode impedir a cirurgia, mesmo com grau baixo?

Alguns achados no exame contraindicam ou adiam a cirurgia, independente do grau ser alto ou baixo:

  • Córnea fina demais para o grau a corrigir
  • Ceratocone ou tendência a essa alteração no formato da córnea
  • Grau que ainda está mudando, sem estabilidade
  • Olho seco significativo não controlado
  • Outras doenças oculares que precisam ser tratadas antes

Em alguns desses casos, a cirurgia fica contraindicada; em outros, é só uma questão de tratar a causa antes e reavaliar depois.

A maioria das pessoas é candidata?

Sim, a maior parte das pessoas que procura avaliação acaba sendo candidata a alguma técnica de cirurgia refrativa. Mas isso só se confirma com o exame completo — não dá para saber de antemão só pelo grau ou pela idade.

O que você não deve fazer

O erro mais comum é se descartar como candidato sem nunca ter feito o exame, só porque ouviu de alguém que “grau alto não pode” ou “grau baixo não compensa”. Cada córnea é diferente, e só a topografia e a paquimetria mostram isso de verdade.

Também vale evitar comparar o seu caso com o de outra pessoa que operou. A técnica indicada e a segurança da cirurgia dependem do seu exame, não do exame de quem você conhece.

Só o exame confirma se você é candidato

Não dá para responder “posso operar?” sem antes olhar para a sua córnea. É esse exame, e não o número do grau, que diz se você é candidato e qual técnica cabe no seu caso.

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Escrito por Dr. Gregório Pepeliascov · Oftalmologista · CRM-SP 210134 · RQE 129630 · Médico assistente no setor de glaucoma da Faculdade de Medicina do ABC.

Sobre o autor

Dr. Gregório Pepeliascov, oftalmologista em Moema

Sou oftalmologista formado em medicina e em oftalmologia pela Faculdade de Medicina do ABC, onde também fiz especialização em glaucoma e catarata. Hoje atuo como médico assistente no setor de glaucoma da FMABC e como chefe do setor de glaucoma do Dr. Consulta General Glicério.

Escrevo aqui sobre glaucoma, catarata, cirurgia refrativa e os sinais que merecem avaliação, do mesmo jeito que explico no consultório. Meu objetivo é que você entenda o que está acontecendo com a sua visão e saiba quando procurar um oftalmologista.

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